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Porque é que os humanos têm menos pelo corporal

Cientista em laboratório analisando modelo de ADN e imagens digitais do corpo humano numa secretária.
Neste artigo
  1. As vantagens do pelo
  2. Porque é que os humanos perderam pelo
  3. Os genes que controlam a quantidade de pelo

Já se perguntou porque não tem uma camada espessa de pelo a cobrir todo o corpo, como acontece com cães, gatos ou gorilas?

Os seres humanos não são os únicos mamíferos com pouco pelo. Elefantes, rinocerontes e ratos-toupeira-pelados também quase não têm pelo. O mesmo se verifica em alguns mamíferos marinhos, como as baleias e os golfinhos.

Os cientistas acreditam que os primeiros mamíferos, que viveram na época dos dinossauros, eram bastante peludos.

No entanto, ao longo de centenas de milhões de anos, um pequeno grupo de mamíferos, incluindo os humanos, evoluiu para ter menos pelo. Qual será a vantagem de não desenvolvermos o nosso próprio casaco de pelo?

Sou bióloga e estudo os genes que determinam a quantidade de pelo nos mamíferos. A razão pela qual os humanos e um reduzido número de outros mamíferos são relativamente pouco peludos é uma questão interessante. Tudo depende de determinados genes estarem ativos ou inativos.

As vantagens do pelo

O pelo e a pelagem desempenham várias funções importantes. Mantêm os animais quentes, protegem a pele do sol e de ferimentos, além de os ajudarem a confundir-se com o meio envolvente.

Também contribuem para que os animais percebam o ambiente à sua volta. Já sentiu uma espécie de comichão quando algo quase lhe toca? É o seu pelo a ajudar a detetar o que está próximo.

Os humanos têm pelo por todo o corpo, embora seja habitualmente mais escasso e fino do que o dos nossos parentes mais peludos. Uma exceção evidente é o cabelo da cabeça, que provavelmente protege o couro cabeludo da exposição solar.

Nos adultos, o pelo mais espesso que surge nas axilas e entre as pernas reduz provavelmente o atrito da pele e ajuda a arrefecer o corpo, ao dispersar o suor.

Portanto, o pelo pode ser muito útil. Para os seres humanos terem perdido tanto, deve ter existido uma forte razão evolutiva.

Porque é que os humanos perderam pelo

Esta história começa há cerca de 7 milhões de anos, quando humanos e chimpanzés seguiram percursos evolutivos distintos. Embora os cientistas não possam afirmar com certeza porque é que os humanos se tornaram menos peludos, existem teorias consistentes relacionadas com o suor.

Os humanos possuem muito mais glândulas sudoríparas do que os chimpanzés e outros mamíferos. Transpirar permite arrefecer o organismo.

Quando o suor se evapora na pele, transporta energia térmica para fora do corpo. Este mecanismo de arrefecimento terá sido provavelmente essencial para os primeiros antepassados humanos, que viviam na quente savana africana.

Naturalmente, há muitos mamíferos atuais que vivem em climas quentes e continuam cobertos de pelo. Os primeiros humanos conseguiam caçar animais desse tipo, cansando-os durante longas perseguições sob o calor - uma estratégia conhecida como caça de persistência.

Os humanos não precisavam de ser mais rápidos do que os animais que caçavam. Bastava continuarem a correr até as presas ficarem demasiado quentes e cansadas para fugir. A capacidade de transpirar abundantemente, sem uma pelagem espessa, tornou esta resistência possível.

Os genes que controlam a quantidade de pelo

Para compreender melhor a quantidade de pelo nos mamíferos, a minha equipa de investigação comparou a informação genética de 62 mamíferos diferentes, desde humanos a tatus, cães e esquilos. Ao alinhar o ADN de todas estas espécies, conseguimos identificar os genes associados à manutenção ou à perda de pelo corporal.

Entre as várias descobertas, verificámos que os humanos continuam a ter todos os genes necessários para uma pelagem completa - simplesmente estão silenciados ou desligados.

Na história de "A Bela e o Monstro", o Monstro está coberto por pelo espesso, algo que pode parecer pura fantasia. Porém, na vida real, algumas doenças raras podem fazer com que as pessoas desenvolvam muito pelo em todo o corpo.

Esta condição, denominada hipertricose, é muito invulgar e tem sido chamada de "síndrome do lobisomem", devido ao aspeto das pessoas que a apresentam.

No século XVI, um espanhol chamado Petrus Gonsalvus nasceu com hipertricose. Quando era criança, foi enviado numa gaiola de ferro, como um animal, para Henrique II de França, como presente.

Pouco tempo depois, o rei percebeu que Petrus era uma pessoa como qualquer outra e que podia receber educação. Mais tarde, casou-se com uma dama, dando origem à inspiração para a história de "A Bela e o Monstro".

Embora seja pouco provável que alguma vez conheça alguém com esta característica rara, ela demonstra como os genes podem provocar alterações únicas e surpreendentes no crescimento do pelo.

Maria Chikina, professora auxiliar de Biologia Computacional e de Sistemas, Universidade de Pittsburgh

Este artigo é republicado de The Conversation ao abrigo de uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.

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Joana Margarida Táborda

Joana Margarida Táborda é investigadora e consultora em comunicação digital e construção de marca pessoal, especializada em estratégia de conteúdos, storytelling e presença online. No projeto joanataborda, explora as interseções entre criatividade, identidade e marketing, com interesse particular em escrita, cultura contemporânea e ferramentas digitais para crescimento sustentável.

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