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Porque é que o cabelo e as unhas continuam a crescer?

Jovem sorridente a brincar com o cabelo enquanto está sentada numa secretária iluminada pelo sol.
Neste artigo
  1. Afinal, de que são feitos?
  2. Ao contrário das unhas, o cabelo cresce por ciclos
  3. O que influencia a velocidade de crescimento?
  4. Não, o cabelo e as unhas não crescem depois da morte

Ao longo da história registada, o cabelo e as unhas tiveram um papel importante na forma como assinalamos quem somos e o nosso estatuto social. Pode dizer-se que distinguem o homem das cavernas do empresário.

Por isso, não foi surpreendente que, durante os confinamentos da COVID, muitas pessoas tenham passado a valorizar ainda mais os seus cabeleireiros e técnicos de unhas. Até Taylor Swift revelou que cortou o próprio cabelo durante o confinamento.

Mas o que aconteceria se cuidar do cabelo e das unhas se tornasse demasiado trabalhoso e decidíssemos abandonar por completo essa rotina? Continuariam simplesmente a crescer?

A resposta é sim. Em média, o cabelo da cabeça cresce 1 centímetro por mês, enquanto as unhas das mãos crescem pouco mais de 3 milímetros, em média.

Sem controlo, o cabelo e as unhas podem atingir comprimentos notáveis. Aliia Nasyrova, conhecida como a Rapunzel ucraniana, detém o recorde mundial de cabelo mais comprido numa mulher viva: as suas madeixas medem uns impressionantes 257,33 cm.

No que toca a unhas das mãos recordistas, esse título pertence a Diana Armstrong, dos Estados Unidos, com 1 306,58 cm.

A maioria de nós, contudo, corta o cabelo e apara as unhas regularmente - uns mais vezes do que outros. Porque será, então, que o cabelo e as unhas de algumas pessoas crescem mais depressa?

Afinal, de que são feitos?

Tanto o cabelo como as unhas são constituídos sobretudo por queratina. Ambos nascem de células da matriz situadas sob a pele, mas desenvolvem-se através de padrões distintos de divisão celular.

As unhas crescem de forma contínua a partir das células da matriz, localizadas sob a pele na base da unha. À medida que estas células se dividem, empurram as mais antigas para a frente. Enquanto crescem, as novas células deslizam sobre o leito ungueal - a superfície plana sob a unha, que parece rosada devido à sua abundante irrigação sanguínea.

O cabelo também começa a formar-se nas células da matriz, dando finalmente origem à parte visível, a haste capilar. Esta haste cresce a partir de uma raiz que se encontra sob a pele e é envolvida por uma bolsa chamada folículo piloso.

Esse folículo tem terminações nervosas - razão pela qual arrancar um cabelo dói -, glândulas produtoras de óleo que lubrificam o cabelo e um pequeno músculo que o faz eriçar quando está frio.

Na base do folículo encontra-se o bolbo capilar, que contém a importante papila capilar, responsável por fornecer sangue ao folículo.

As células da matriz próximas da papila dividem-se para criar novas células capilares, que depois endurecem e formam a haste do cabelo. À medida que são produzidas novas células, o cabelo é empurrado para fora da pele, crescendo assim em comprimento.

No entanto, a papila é igualmente essencial na regulação dos ciclos de crescimento capilar: envia sinais às células estaminais para se deslocarem até à base do folículo e formarem uma matriz capilar. As células da matriz recebem então sinais para se dividirem e iniciarem uma nova fase de crescimento.

Ao contrário das unhas, o cabelo cresce por ciclos

Os cientistas identificaram quatro fases no crescimento do cabelo:

  1. a fase anagénica, ou de crescimento, que dura entre dois e oito anos;
  2. a fase catagénica, ou de transição, durante a qual o crescimento abranda e que dura cerca de duas semanas;
  3. a fase telogénica, ou de repouso, em que não há qualquer crescimento. Normalmente, prolonga-se por dois a três meses;
  4. a fase exogénica, ou de queda, quando o cabelo cai e é substituído pelo novo cabelo que cresce no mesmo folículo. A partir daí, o processo recomeça.

Ciclo de crescimento do cabelo. (Iv__design/Getty Images)

Cada folículo atravessa este ciclo entre 10 e 30 vezes ao longo da sua vida.

Se todos os folículos capilares crescessem ao mesmo ritmo e entrassem nas mesmas fases em simultâneo, haveria períodos em que todos ficaríamos carecas. Regra geral, isso não acontece: em qualquer momento, apenas um em cada dez cabelos está na fase de repouso.

Embora percamos cerca de 100–150 cabelos por dia, uma pessoa tem, em média, 100 000 cabelos na cabeça, pelo que quase não reparamos nesta queda natural.

O que influencia a velocidade de crescimento?

A genética é o factor mais determinante. Apesar de a velocidade de crescimento do cabelo variar de pessoa para pessoa, tende a ser semelhante entre membros da mesma família.

As unhas também sofrem influência genética, já que os irmãos, sobretudo os gémeos idênticos, costumam apresentar ritmos de crescimento ungueal parecidos.

Existem, porém, outros factores.

A idade afecta o crescimento do cabelo e das unhas, mesmo em pessoas saudáveis. Em geral, os mais jovens apresentam taxas de crescimento mais elevadas, devido ao abrandamento do metabolismo e da divisão celular associado ao envelhecimento.

As alterações hormonais também podem influenciar este processo. A gravidez acelera frequentemente o crescimento do cabelo e das unhas, enquanto a menopausa e níveis elevados de cortisol, a hormona do stress, podem abrandá-lo.

A alimentação altera igualmente a resistência e a velocidade de crescimento do cabelo e das unhas. Embora sejam compostos sobretudo por queratina, também contêm água, gorduras e vários minerais. Como o cabelo e as unhas continuam a crescer, estes minerais têm de ser repostos.

É por isso que uma alimentação equilibrada, com nutrientes suficientes para apoiar o cabelo e as unhas, é essencial para preservar a sua saúde.

As carências nutricionais podem contribuir para a queda de cabelo e a quebra das unhas, ao perturbarem o ciclo de crescimento ou ao enfraquecerem a sua estrutura. As deficiências de ferro e zinco, por exemplo, têm sido associadas tanto à queda de cabelo como a unhas frágeis.

Isto poderá explicar por que motivo cabelo espesso e unhas fortes, bem tratadas, são há muito associados à percepção de boa saúde e de estatuto elevado.

Contudo, nem todas as percepções correspondem à realidade.

Não, o cabelo e as unhas não crescem depois da morte

Um mito persistente, possivelmente relacionado com as lendas de vampiros, afirma que o cabelo e as unhas continuam a crescer depois de morrermos.

Na realidade, apenas parecem fazê-lo. Quando o corpo desidrata após a morte, a pele encolhe, fazendo com que o cabelo e as unhas pareçam mais compridos.

Os agentes funerários conhecem bem este fenómeno e alguns injectam material de preenchimento nos dedos dos falecidos para reduzir este efeito.

Assim, parece que, vivos ou mortos, não há forma de escapar à interminável tarefa de cuidar do cabelo e das unhas.

Michelle Moscova, Professora Associada Adjunta de Anatomia, UNSW Sydney

Este artigo foi republicado do The Conversation ao abrigo de uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.

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Joana Margarida Táborda

Joana Margarida Táborda é investigadora e consultora em comunicação digital e construção de marca pessoal, especializada em estratégia de conteúdos, storytelling e presença online. No projeto joanataborda, explora as interseções entre criatividade, identidade e marketing, com interesse particular em escrita, cultura contemporânea e ferramentas digitais para crescimento sustentável.

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